Moçambique e França reforçam aliança económica
A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) recebeu na segunda-feira, 23 de Junho de 2025, o Embaixador da França em Moçambique, Yann Pradeau, numa reunião de alto nível centrada no reforço da cooperação económica bilateral. O encontro culminou com o anúncio da realização, em Outubro deste ano, de um Fórum de Negócios Moçambique–França, destinado a impulsionar as trocas comerciais e atrair investimento estratégico entre os dois países.
A iniciativa surge numa altura em que se intensificam os esforços de diversificação das exportações moçambicanas e de reconfiguração das suas relações comerciais, com vista à inserção mais competitiva no mercado internacional. Em destaque esteve o papel da MEDEF (Mouvement des Entreprises de France), a maior confederação patronal francesa, que será um parceiro directo da CTA no aprofundamento das relações empresariais. A associação EVOLEN, que congrega empresas francesas da área de energia, entre as quais a TotalEnergies e a Technip, também deverá assumir um papel activo na vertente sectorial da cooperação.
“Há espaço para expandir e diversificar esta relação, não apenas ao nível das trocas comerciais, mas também na cooperação institucional e nos investimentos estruturantes para o desenvolvimento sustentável”, sublinhou o Presidente da CTA, Álvaro Massingue.
Um dos pontos inovadores da reunião foi a proposta de utilizar os departamentos ultramarinos franceses, nomeadamente as Ilhas de Reunião e Mayotte — como plataformas logísticas e comerciais para a entrada de produtos moçambicanos no mercado francês e europeu. Ambos os territórios, localizados estrategicamente no Oceano Índico, beneficiam de reformas aduaneiras recentes e de ligações institucionais privilegiadas com a União Europeia.
Para Moçambique, esta estratégia poderá representar uma oportunidade para diversificar e consolidar as suas exportações, nomeadamente de bens como água mineral, produtos agrícolas e outros bens transformados. A escassez de capacidade produtiva em ilhas como Mayotte foi identificada como uma oportunidade de curto prazo para exportadores moçambicanos.
“A exportação de água mineral moçambicana para Mayotte é um exemplo prático de como a cooperação pode gerar oportunidades reais de negócio, ao mesmo tempo que se responde a uma necessidade local concreta,” a CTA.
Apesar do historial positivo de cooperação bilateral — com a França a figurar entre os maiores investidores europeus em Moçambique, sobretudo nos sectores da energia, infraestruturas, agricultura e turismo — ambas as partes reconhecem que o potencial de crescimento está longe de ter sido esgotado.
O fórum empresarial de Outubro deverá abordar temas como financiamento para o sector privado, investimentos em infraestruturas resilientes, inovação energética e oportunidades em cadeias de valor agro-industriais. A expectativa é que o evento reforce a confiança entre os sectores empresariais dos dois países e resulte em parcerias de impacto económico concreto.
A França tem vindo a posicionar-se como um parceiro estratégico de Moçambique no contexto do reforço da presença europeia em África, especialmente em regiões de interesse geo-económico como o Canal de Moçambique. O interesse renovado no desenvolvimento sustentável e no fomento de cadeias de valor regionais é também uma resposta directa aos novos imperativos de segurança alimentar, transição energética e industrialização no continente.
“Estamos disponíveis para trabalhar com a Embaixada da França em iniciativas concretas que contribuam para o fortalecimento do sector privado e a inserção competitiva de Moçambique nas cadeias globais de valor”, assegurou Álvaro Massingue, encerrando o encontro com um apelo ao sector privado para uma participação activa nas próximas etapas de cooperação.
