50 Anos de Independência Reúnem PALOP em Maputo

-Evento organizado pela Universidade Pedagógica destaca papel da luta de libertação na construção dos Estados africanos de língua portuguesa

A cidade de Maputo acolheu, na quarta-feira, 18 de Junho de 2025, a abertura da Conferência Internacional Moçambique e as independências dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa: os tempos e as utopias, uma iniciativa da Universidade Pedagógica, inserida nas celebrações do cinquentenário da independência nacional. O evento reuniu académicos, antigos combatentes e responsáveis políticos para debater os percursos históricos e os desafios actuais dos PALOP.

A cerimónia de abertura foi presidida por Edson da Graça Francisco Macuácua, Secretário de Estado de Ciência e Ensino Superior, em representação da Primeira-Ministra de Moçambique. Na sua intervenção, Macuácua enalteceu a importância do resgate da memória histórica nacional, destacando que “a comemoração dos 50 anos de independência nacional é um momento exaltante de celebração da epopeia da nossa história”.

O Secretário de Estado sublinhou  que o estudo da história pátria é fundamental para o reforço da identidade nacional, defendendo que “a história fornece os alicerces, narrativas e um senso de pertença à nação, o orgulho pela africanidade e moçambicanidade”.

Durante o seu discurso, Edson Macuácua recordou que a independência de Moçambique foi resultado de uma luta armada prolongada, conduzida por uma frente unificada de moçambicanos de todas as origens. A Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), sob a liderança de Eduardo Mondlane, foi apontada como o pilar da Unidade Nacional, decisiva para o sucesso da luta contra o colonialismo.

“A luta de libertação nacional não foi uma mera guerra, foi uma revolução, uma gesta identitária”, afirmou Macuácua, sublinhando o papel de Samora Machel na construção do Estado moçambicano baseado em valores como liberdade, justiça, igualdade e solidariedade.

Face aos desafios contemporâneos, como o terrorismo, as alterações climáticas e a pobreza, o governante apelou ao reforço do espírito patriótico e à valorização da história como forma de resistência cultural. “Num tempo de pós-verdade, em que até a verdade histórica é negada, é fundamental desenvolver uma historiografia afrocêntrica que permita às novas gerações apropriarem-se da sua história”, referiu.

Macuácua desafiou a academia moçambicana a assumir um papel activo na preservação da memória colectiva, incentivando a recolha de fontes orais e a produção de obras científicas sobre a luta de libertação e o processo de construção do Estado.

O Secretário de Estado destacou ainda a importância da diplomacia científica e da cooperação entre universidades africanas e instituições internacionais para o enriquecimento do acervo histórico e bibliográfico dos países africanos de língua portuguesa.

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“A história, para além de ser factual, é também uma ciência. Por isso, encorajamos a partilha de conhecimento e de fontes primárias, que permitam um melhor entendimento do percurso dos nossos povos”, defendeu.

Encerrando a sua intervenção, Macuácua exortou os jovens moçambicanos a inspirarem-se na geração do 25 de Setembro e nos seus valores de coragem, sacrifício e patriotismo. “Celebrar os 50 anos da independência não é apenas um exercício de memória. É um compromisso com a construção da nossa independência económica, social e cultural”, concluiu, declarando aberta a conferência internacional.


Categoria: Sociedade

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