Governo dá luz verde à nova quota de exploração de madeira
Na manhã serena da terça-feira, 13 de maio corrente, enquanto os corredores do Palácio do Governo ainda ecoavam os passos apressados dos decisores políticos, uma decisão de grande importância para o futuro das florestas nacionais foi tomada: o Executivo aprovou a nova quota de exploração de madeira para o ano de 2025.
A Resolução, aguardada com expectativa por ambientalistas, empresários do sector madeireiro e comunidades locais, estabelece um volume autorizado de 485.936 metros cúbicos de madeira. Um ligeiro, mas simbólico aumento em relação aos 485.436 m³ permitidos em 2024, o que indica, segundo fontes oficiais, um compromisso contínuo com a gestão sustentável dos recursos florestais.
Mas o destaque da medida vai além dos números. Pela primeira vez, a espécie Nantchasse, recentemente classificada como madeira preciosa, passa a integrar oficialmente a lista de madeiras autorizadas para exploração.
Trata-se de uma árvore rara, de crescimento lento e com valor comercial crescente nos mercados internacionais. A sua inclusão, segundo o Governo, visa diversificar a pressão sobre as espécies mais exploradas e ao mesmo tempo reforçar os mecanismos de protecção ambiental. “Com esta decisão, estamos a proteger não só o nosso património natural, mas também a gerar novas oportunidades de rendimento para o país e para as comunidades que dependem da floresta”, declarou um responsável do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, que tutela o sector florestal.
A decisão de incluir a Nantchasse não foi tomada de ânimo leve. Segundo fontes ligadas ao processo, houve meses de estudos técnicos e consultas com especialistas florestais. A espécie, embora valiosa, exige um plano de exploração meticuloso para evitar a sua rápida degradação. Por isso, a Resolução também prevê um reforço da vigilância e monitorização ambiental, envolvendo fiscais, ONGs e membros das comunidades locais.
Para as empresas do sector, a notícia foi recebida com otimismo cauteloso. “A inclusão da Nantchasse representa uma nova oportunidade de negócio, mas também uma grande responsabilidade”, afirmou Alberto Massango, diretor de uma das principais operadoras madeireiras do país. “Esperamos que haja um equilíbrio real entre exploração e conservação.”
Já entre ambientalistas, a medida foi interpretada como um teste ao compromisso do Governo com a sustentabilidade. “O papel da Nantchasse na biodiversidade florestal é importante. Se a exploração for mal gerida, o impacto poderá ser grave”, alertou Lina Chimoio, coordenadora de um projecto de conservação florestal no centro do país.
A nova quota de 2025 surge num momento em que o país intensifica os seus esforços para alinhar a exploração dos recursos naturais com os compromissos internacionais sobre clima e biodiversidade. A floresta continua a ser uma das maiores riquezas nacionais, mas também uma das mais frágeis.
Com a Nantchasse agora no centro do debate, e um volume de exploração ligeiramente ampliado, o país enfrenta novamente o desafio de provar que é possível crescer sem destruir.

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