HCB: Meio século de energia, memórias e futuro em debate

Num mês marcado pela celebração e pela reflexão, a cidade de Maputo prepara-se para acolher uma conferência que promete ser mais do que um encontro técnico: será um tributo à história, ao impacto e ao futuro de um dos empreendimentos mais emblemáticos de Moçambique — a Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB). No dia 21 de maio corrente, cerca de 300 convidados, entre especialistas, gestores e decisores regionais, estarão reunidos para discutir o legado de uma infraestrutura que há 50 anos vem iluminando não apenas cidades, mas também o desenvolvimento económico e social do país e da região austral de África.

Sob o tema “50 anos da HCB – Ontem, Hoje e o Futuro: Empresa Estruturante e Estratégica”, a conferência assinala uma viagem de meio século que começou no coração da província de Tete, às margens do Zambeze, com a construção de uma barragem que mudaria para sempre a paisagem natural e económica de Moçambique.

Mariano Quinze, director de comunicação da HCB, foi a voz que anunciou, na segunda-feira, 12 de maio de 2015. os contornos deste grande encontro. Com serenidade e entusiasmo, falou da estrutura do evento, dividido em dois painéis que procuram responder a perguntas cruciais: qual o papel da energia hidroelétrica no desenvolvimento regional? E como enfrentar o futuro num planeta em transformação climática acelerada?

O primeiro painel trará à mesa vozes de Angola, África do Sul e Moçambique. Serão representantes da Eskom, da empresa angolana de energia e da própria HCB a debruçarem-se sobre o impacto das centrais eléctricas no crescimento económico regional, num tempo em que a energia se tornou não apenas um bem de consumo, mas um direito de cidadania e um pilar para qualquer ambição de desenvolvimento.

Já o segundo momento do encontro mergulhará numa das questões mais urgentes da actualidade: a adaptação das hidro-elétricas às alterações climáticas. A apresentação de fundo estará a cargo do professor catedrático Carmo Vaz, num painel que também contará com a presença da ZRA (gestora da barragem de Kariba) e da ZESCO, estatal energética da Zâmbia. Juntos, vão partilhar experiências, desafios e soluções sobre como gerir barragens em tempos de secas severas, cheias imprevisíveis e crescente pressão ambiental.

“Pensamos que com esta conferência podemos dar o nosso contributo, na massificação e disseminação de informação sobre como estas empresas do sector energético operam na região, mas ao mesmo tempo como é que elas contribuem para o desenvolvimento nacional e regional”, disse Mariano Quinze, sublinhando o duplo papel da HCB: técnica e social, presente e futura.

As comemorações dos 50 anos da HCB não se esgotam na conferência. Pelo contrário, espalham-se pelo país em diversas iniciativas que evocam o passado e apostam no futuro. Um concurso de jornalismo sobre a participação da HCB no desenvolvimento nacional, a corrida HCB Mutola Legend em Chimoio e, sobretudo, a inauguração do Projecto Transformar, na vila de Chitima, são marcos que traduzem o compromisso da empresa com a sustentabilidade e com as comunidades.

A 23 de Junho, no Songo — berço da HCB — a celebração atingirá o seu clímax. Ali, onde tudo começou, será dado o passo simbólico para o que poderá ser o próximo ciclo de 50 anos: mais inclusivo, mais verde, mais estratégico.

Fundada em 1975, no rescaldo da independência, através de um acordo entre a FRELIMO e o Governo português, a Hidroelétrica de Cahora Bassa é hoje mais do que uma produtora de energia. É uma memória viva de soberania, resiliência e visão. E a conferência que se aproxima é, talvez, o melhor espelho disso: um encontro entre o que fomos, o que somos e o que queremos ser (Julio Saul).


Categoria: Sociedade

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