Chapo tenciona Moçambique como hub energético regional

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, defendeu esta quarta-feira, 22 de Julho de 2026, em Maputo, que Moçambique deve transformar o seu potencial energético numa plataforma regional de produção, transporte, transformação e comercialização de energia, colocando o sector como um dos pilares da industrialização e do crescimento económico sustentável do país.

A visão foi apresentada durante a cerimónia de abertura do Mozambique CEO Summit, subordinado ao lema “Moçambique como Hub Energético Regional: Liderando a Próxima Fronteira de Crescimento em África”, evento que reúne líderes empresariais, investidores nacionais e estrangeiros, instituições financeiras, parceiros de desenvolvimento e representantes de vários sectores económicos.

Segundo Daniel Chapo, a transformação de Moçambique numa referência energética na África Austral exige mais do que a disponibilidade de recursos naturais, sendo necessário apostar em infra-estruturas modernas, instituições sólidas, capital humano qualificado, investimento responsável e maior participação do sector privado.

O Chefe do Estado destacou que o país possui vantagens estratégicas, incluindo a localização no Oceano Índico, portos de ligação regional, corredores de desenvolvimento, recursos hídricos, potencial energético diversificado, recursos minerais e uma população jovem, factores que podem impulsionar a competitividade nacional.

“Moçambique não deve ser apenas um país exportador de energia ou matérias-primas, mas deve usar a energia para produzir mais, transformar mais, empregar mais e competir melhor”, afirmou o Presidente, defendendo uma maior ligação entre os grandes investimentos e o desenvolvimento económico interno.

Daniel Chapo sublinhou que o Governo pretende reduzir a dependência da economia nacional em relação à indústria extractiva, actualmente concentrada no carvão, areias pesadas, grafite e hidrocarbonetos, apostando na diversificação para sectores como agricultura, turismo, infra-estruturas, logística, transformação digital e industrialização.

No sector energético, o Presidente destacou investimentos estratégicos em curso, com enfoque no aproveitamento do potencial hidroeléctrico do Vale do Zambeze, incluindo o desenvolvimento progressivo de projectos como Mphanda Nkuwa, Lupata e Boroma, além da consolidação do papel da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) como activo estratégico nacional.

O Chefe do Estado referiu igualmente o projecto “Energia para Todos”, uma iniciativa que visa expandir o acesso à electricidade em todo o território nacional, com a meta de garantir que, até 2030, todos os moçambicanos tenham acesso a este serviço essencial para a educação, saúde, produção e empreendedorismo.

Na área do gás natural, Daniel Chapo apontou os projectos Coral Sul e Coral Norte, liderados pela ENI, Mozambique LNG, da TotalEnergies, e Rovuma LNG, da ExxonMobil, como investimentos estruturantes para o futuro económico do país, representando uma mobilização estimada em cerca de 50 mil milhões de dólares norte-americanos.

Para o Presidente, estes projectos devem servir de base para o desenvolvimento de empresas nacionais, formação de quadros moçambicanos, criação de emprego e aceleração da industrialização, não apenas em Moçambique, mas também na região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Além do sector energético, Daniel Chapo destacou a importância dos corredores de desenvolvimento como instrumentos para fortalecer a integração regional. Referiu investimentos previstos no Corredor de Nacala, melhorias no Porto da Beira e no Corredor de Maputo, incluindo infra-estruturas logísticas e facilitação do comércio com países vizinhos.

O Presidente defendeu que os grandes investimentos devem gerar benefícios directos para a economia nacional, criando oportunidades para micro, pequenas e médias empresas, promovendo transferência de conhecimento, respeitando as comunidades e garantindo protecção ambiental.

Neste contexto, reafirmou a importância da Lei do Conteúdo Local como uma ferramenta estratégica para fortalecer empresas moçambicanas, qualificar mão-de-obra nacional e assegurar que a exploração dos recursos naturais contribua para o desenvolvimento interno.

Daniel Chapo garantiu que o Governo continuará a trabalhar para melhorar o ambiente de negócios, reduzir barreiras burocráticas, reforçar a segurança jurídica, combater a corrupção e criar condições para atrair investimento nacional e estrangeiro.

O Presidente apelou ainda ao sector privado nacional para adoptar padrões de profissionalismo, integridade e cumprimento de compromissos, defendendo que o desenvolvimento económico deve criar ligações entre grandes investimentos, empresas locais, agricultura, indústria, formação profissional e emprego.

Na componente ambiental, Daniel Chapo defendeu uma transição energética justa, argumentando que África não deve ser obrigada a escolher entre a protecção ambiental e a redução da pobreza, mas deve encontrar um equilíbrio entre crescimento económico, sustentabilidade e inclusão social.

O Chefe do Estado concluiu que o Mozambique CEO Summit deve resultar em novas parcerias, investimentos produtivos e soluções inovadoras capazes de acelerar a transformação económica do país, reforçando a posição de Moçambique como plataforma energética, tecnológica e industrial da África Austral.

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Categoria: Economia

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