Matola quer afirmar-se como motor da industrialização

O ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá, defendeu que a cidade da Matola deve evoluir de um simples pólo industrial para um ecossistema produtivo integrado, capaz de gerar maior valor acrescentado, emprego, inovação e oportunidades para empresas nacionais. A posição foi apresentada durante a abertura e no painel sobre as políticas de desenvolvimento do país, integrados no Fórum de Negócios e Feira Empresarial da Matola 2026 que decorre de 1 a 3 de Julho corrente.

Segundo o governante, a Matola ocupa uma posição estratégica na economia moçambicana devido à sua localização, forte concentração industrial, ligação ao Corredor de Maputo e proximidade aos mercados da África do Sul, Eswatini e restantes países da África Austral. Contudo, sublinhou que estas vantagens devem traduzir-se em maior industrialização, fortalecimento das cadeias de valor e integração efectiva das pequenas e médias empresas (PME) na economia nacional.

Salim Valá afirmou que a cidade deve deixar de ser reconhecida apenas pela concentração de grandes unidades industriais e transformar-se numa plataforma de produção, logística, comércio e serviços empresariais, onde o investimento privado produza impactos concretos na criação de emprego, no desenvolvimento das empresas nacionais e na melhoria das condições de vida das famílias.

O ministro destacou que a ambição do Governo não passa apenas por atrair novos investimentos, mas também por assegurar que as empresas já instaladas aumentem a produção, reforcem as compras locais, formem mais quadros nacionais e integrem fornecedores moçambicanos nas suas cadeias de abastecimento.

“Precisamos de passar da presença industrial para um verdadeiro ecossistema industrial”, defendeu, acrescentando que o investimento apenas alcança todo o seu potencial quando encontra instituições sólidas, mão-de-obra qualificada, serviços públicos eficientes e uma base empresarial local preparada para responder aos padrões de qualidade e inovação exigidos pelo mercado.

Nesta perspectiva, o governante defendeu uma maior articulação entre grandes empresas, PME, instituições de ensino e investigação, sector financeiro e serviços logísticos, criando uma rede capaz de impulsionar a transformação económica da cidade.

Durante a sua intervenção, Salim Valá reconheceu que a economia nacional atravessa um período de recuperação ainda frágil após a contracção registada em 2025. Por isso, considerou fundamental acelerar a produção, apoiar o tecido empresarial e criar condições para que o investimento se traduza em emprego e rendimento.

Neste contexto, referiu a situação da Mozal como um importante sinal de alerta para a necessidade de diversificar a base produtiva da Matola. Segundo explicou, o regime de care and maintenance da empresa demonstra que a competitividade industrial depende de factores como energia competitiva, logística eficiente, estabilidade regulatória, inovação e melhor articulação entre investimento privado e prioridades nacionais.

Para evitar uma dependência excessiva de poucas grandes empresas, o ministro defendeu o fortalecimento das PME, o aumento da transformação local e uma maior integração entre indústria, comércio, serviços, tecnologia e formação profissional.

Como orientação estratégica para o desenvolvimento económico local, Salim Valá apresentou cinco prioridades. A primeira consiste em consolidar a vocação industrial da Matola através do reforço das infra-estruturas, energia competitiva, mobilidade urbana, gestão eficiente dos espaços industriais, segurança e modernização dos serviços municipais.

A segunda prioridade passa por transformar as grandes empresas em verdadeiras âncoras do desenvolvimento local, incentivando a contratação de fornecedores nacionais, a capacitação das PME e a formação contínua dos trabalhadores moçambicanos.

Neste âmbito, propôs a criação de um Programa de Desenvolvimento de Fornecedores Locais, envolvendo empresas, instituições financeiras, associações empresariais, centros de formação e o município, com vista a identificar oportunidades de fornecimento, promover certificação empresarial, facilitar o acesso ao financiamento e reforçar as capacidades produtivas nacionais.

A terceira prioridade centra-se no financiamento da produção, inovação e emprego. O ministro reconheceu que muitos empreendedores continuam limitados pela falta de capital, garantias e acesso aos mercados, defendendo a criação de uma plataforma permanente de orientação ao financiamento produtivo, que facilite o acesso aos instrumentos previstos no Plano de Recuperação e Crescimento Económico (PRECE), incluindo o Fundo de Desenvolvimento Económico Local, o Fundo de Garantia Mútua, o Fundo de Recuperação Económica e o Fundo Catalítico.

A quarta prioridade consiste na melhoria do ambiente de negócios, através da redução da burocracia e da digitalização dos serviços municipais. Salim Valá considerou que procedimentos mais simples, licenciamento célere, pagamentos electrónicos e maior transparência são factores essenciais para atrair investimento e aumentar a competitividade da cidade.

Por fim, o ministro colocou a juventude, as mulheres e a sustentabilidade ambiental no centro da estratégia de desenvolvimento. Defendeu um pacto local para o emprego jovem, a formação técnica e o empreendedorismo, aproximando os jovens das oportunidades existentes na indústria, logística, energia, construção, comércio e tecnologia. Simultaneamente, apelou ao reforço do acesso das mulheres empreendedoras ao financiamento, aos mercados e aos espaços de liderança empresarial.

No domínio ambiental, sublinhou que o crescimento económico deve caminhar lado a lado com investimentos em saneamento, drenagem, gestão de resíduos, eficiência energética, mobilidade urbana e resiliência climática.

Como proposta concreta, Salim Valá lançou a ideia da criação da Agenda Matola 2030 para uma Economia Local Produtiva, Inclusiva e Resiliente, um instrumento a ser desenvolvido em parceria entre o Governo, município, sector privado, instituições financeiras, academia e parceiros de cooperação.

Entre as medidas previstas constam a elaboração de um mapa actualizado das oportunidades de investimento da cidade, a implementação de um programa de desenvolvimento de fornecedores locais, a criação de uma mesa permanente de financiamento produtivo, o estabelecimento de um balcão municipal moderno de apoio ao investidor e a concretização de um pacto pelo emprego jovem e pelo empreendedorismo feminino.

Na conclusão da sua intervenção, o ministro afirmou que cabe ao Governo criar as condições necessárias ao investimento, ao município organizar o território e prestar serviços eficientes, ao sector privado investir e gerar emprego, e às instituições académicas e aos jovens transformar conhecimento em inovação.

Para Salim Cripton Valá, a Matola deve afirmar-se como a cidade que lidera a industrialização de Moçambique, promovendo inovação, reforçando o conteúdo local, integrando as PME nas cadeias de valor e consolidando-se como um dos principais motores do desenvolvimento económico nacional.

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Categoria: Economia

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