Agroecologia ganha palco global em Gaza

O Secretário de Estado do Ensino Superior, Edson da Graça Macuácua, defendeu esta segunda-feira, 9 de Junho de 2026, no distrito de Chókwè, província de Gaza, a agroecologia como um instrumento fundamental para fortalecer a soberania alimentar, combater a fome e aumentar a resiliência das comunidades face às mudanças climáticas, durante a abertura do XI Congresso Internacional de Agroecologia, que decorre de 8 a 11 de Junho no Campus Politécnico do Instituto Superior Politécnico de Gaza (ISPG), em Lionde.

Falando em representação do Presidente da República, Daniel Chapo, o governante destacou o carácter histórico do evento, que pela primeira vez se realiza em África, considerando-o um marco para Moçambique e para o continente. Segundo afirmou, a realização do congresso no país demonstra o crescente reconhecimento da agroecologia como alternativa sustentável para a construção de sistemas alimentares mais inclusivos, resilientes e ambientalmente equilibrados.

Perante investigadores, académicos, agricultores, estudantes, representantes de organizações nacionais e internacionais e parceiros de cooperação, o Secretário de Estado alertou para os desafios impostos pelas crises climática, ambiental, económica e social que afectam diversas regiões do mundo. Referiu que milhões de pessoas continuam a enfrentar dificuldades de acesso a alimentos nutritivos e produzidos de forma sustentável, defendendo a necessidade de valorizar práticas agrícolas tradicionais e conhecimentos locais frequentemente ignorados pelos modelos convencionais de produção.

O dirigente sublinhou que a agroecologia propõe uma nova relação entre a agricultura, a sociedade e a natureza, baseada na preservação da biodiversidade, na valorização dos saberes locais, na justiça social e na sustentabilidade ecológica. Neste contexto, considerou que o congresso constitui uma plataforma privilegiada para a produção de conhecimento, troca de experiências e fortalecimento da cooperação entre investigadores, agricultores, movimentos sociais, instituições públicas, sector privado e organizações da sociedade civil.

Durante a cerimónia, foi destacado que a agenda do encontro contempla debates sobre agricultura familiar e camponesa, gestão sustentável da água, circuitos curtos de comercialização, igualdade de género, inovação tecnológica apropriada, conhecimentos tradicionais e integração da agroecologia nas políticas públicas.

O Secretário de Estado manifestou expectativa de que as conclusões do congresso contribuam para o reforço das políticas públicas, para o avanço da investigação científica e para a consolidação de estratégias orientadas para a soberania alimentar dos povos. Acrescentou que o futuro da alimentação mundial não será construído apenas em centros de investigação ou instituições académicas, mas também nos campos agrícolas e nas comunidades rurais que diariamente garantem a produção de alimentos e a conservação dos recursos naturais.

Na sua intervenção, defendeu ainda uma mudança de paradigma nos sistemas alimentares, sustentando que a fome não deve ser encarada como uma fatalidade, mas como consequência de modelos de produção que privilegiam interesses económicos em detrimento da sustentabilidade e do bem-estar das populações.

O governante apelou ao reforço das práticas agrícolas resilientes, incluindo a conservação dos solos, os sistemas agroflorestais, a diversificação de culturas e a gestão sustentável da água, apontando estas medidas como essenciais para fortalecer a segurança alimentar e nutricional, reduzir a pobreza e promover a independência económica.

Ao encerrar a sua intervenção, felicitou o Instituto Superior Politécnico de Gaza pela organização do evento e desejou uma estadia agradável aos participantes estrangeiros, antes de declarar oficialmente aberto o XI Congresso Internacional de Agroecologia.

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Categoria: Sociedade

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