Itália fortifica investimento em Moçambique
A Itália vai mobilizar uma delegação composta por 23 empresas e representantes das principais associações empresariais italianas dos sectores das infra-estruturas, construção, tecnologia e regeneração urbana para participar no Fórum de Negócios Moçambique–Itália, marcado para os dias 8 e 9 de Junho, em Maputo. O anúncio foi feito durante uma conferência de imprensa que reuniu o embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Annis, o presidente da Câmara de Comércio Itália–Moçambique, Simone Santi, e outros representantes do sistema empresarial italiano, que destacaram o evento como um novo marco no aprofundamento das relações económicas entre os dois países.
Durante a sua intervenção, o embaixador italiano sublinhou que Moçambique e Itália são parceiros estratégicos e que as suas economias apresentam características complementares capazes de gerar benefícios mútuos. Segundo explicou, a Itália dispõe de uma forte capacidade industrial e tecnológica para transformar matérias-primas e acrescentar valor aos recursos naturais, enquanto Moçambique possui abundantes recursos minerais, agrícolas e energéticos que necessitam de maior industrialização. Para o diplomata, a conjugação destas potencialidades cria condições favoráveis para uma cooperação económica duradoura e vantajosa para ambas as partes.
O representante diplomático recordou que os investimentos italianos já estão presentes em diversos sectores da economia moçambicana, destacando o petróleo e gás através da ENI e da Saipem, as infra-estruturas por intermédio de empresas como a Renco, CMC e Bonatti, bem como a cadeia agro-alimentar, onde actua a Inalca. Referiu ainda que estas empresas integram a Câmara de Comércio Itália–Moçambique e têm contribuído para consolidar a presença italiana no país ao longo das últimas décadas.
A missão empresarial deste ano sucede à realizada em 2025, dedicada ao sector agrícola e liderada pelo ministro da Agricultura de Itália, Francesco Lollobrigida. De acordo com o embaixador, os resultados alcançados nessa deslocação incentivaram a escolha das infra-estruturas e da construção como sectores prioritários para a nova missão. O objectivo é apresentar aos empresários italianos as oportunidades existentes em Moçambique e promover parcerias capazes de acelerar a implementação de projectos estruturantes para o desenvolvimento nacional.
Entre os temas que estarão em destaque durante o fórum figuram os corredores logísticos, as barragens, a regeneração urbana, a mineração de minerais críticos e as tecnologias aplicadas às infra-estruturas. O diplomata enfatizou particularmente a importância do Corredor da Beira para o escoamento da futura produção agrícola resultante dos investimentos italianos previstos para a província de Manica, defendendo uma integração eficiente entre produção, logística e acesso aos mercados internacionais.
A programação inclui intervenções de membros do Governo moçambicano. O ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, deverá proferir o discurso principal da sessão de abertura, enquanto o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, encerrará os trabalhos. Estão igualmente previstas reuniões com os ministros das Obras Públicas e dos Recursos Minerais e Energia.
Outro dos momentos centrais do encontro será a assinatura de dois instrumentos de cooperação. O primeiro consiste num memorando de entendimento entre o Ministério do Ambiente de Itália e o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas de Moçambique, destinado a facilitar o financiamento de projectos ambientais através de recursos disponibilizados pelo Governo italiano. O segundo documento será uma carta de intenções para a implementação do projecto “Cidades Verdes”, integrado no Plano Mattei, iniciativa estratégica italiana para reforçar as relações com os países africanos. Em Moçambique, o programa deverá concentrar-se inicialmente nas cidades de Chimoio e Pemba.
O director da Agência Italiana para o Comércio Externo, Giancarlo Albano, destacou, por sua vez, a relevância tecnológica da economia italiana. Segundo explicou, cerca de um terço das exportações italianas corresponde a tecnologia avançada, contrariando a percepção de que o país exporta sobretudo produtos de consumo, moda e alimentação. Defendeu que a missão empresarial pretende apresentar não apenas produtos, mas sobretudo conhecimento técnico, soluções tecnológicas, engenharia e capacidade de inovação aplicadas às infra-estruturas modernas.
Albano salientou que as empresas participantes representam áreas diversificadas, incluindo tecnologias digitais, sistemas electrónicos, arquitectura, engenharia e soluções integradas para grandes projectos. Acrescentou que a iniciativa se enquadra numa lógica de cooperação económica e transferência de conhecimento, contribuindo para o fortalecimento das capacidades produtivas locais.
Por seu turno, Simone Santi, presidente da Camera do Comercio Moçambique – Itália, afirmou que o sucesso esperado da missão empresarial assenta numa relação de confiança construída ao longo de mais de meio século entre os sectores privado italiano e moçambicano. O presidente da Câmara de Comércio Itália–Moçambique recordou a presença histórica de empresas italianas no país e destacou o diálogo permanente entre os governos e o empresariado como um dos factores que têm favorecido a atracção de investimento.
Santi revelou que das 25 empresas italianas que participaram num encontro empresarial com o Presidente da República de Moçambique, realizado em Roma em Dezembro passado, dez confirmaram já a sua participação nesta missão, evidenciando o crescente interesse do sector privado italiano pelo mercado moçambicano. Acrescentou que a delegação integra igualmente representantes de associações italianas de pequenas e médias empresas.
Segundo o responsável, as 23 empresas que integrarão a missão registaram, em conjunto, um volume de negócios superior a 17 mil milhões de euros em 2025, demonstrando o peso económico dos participantes. Para além das sessões institucionais, o fórum promoverá encontros bilaterais entre empresários dos dois países. Até ao momento, cerca de 180 empresas moçambicanas já se inscreveram para participar nas reuniões de negócios.
O presidente da Câmara de Comércio considerou que o Plano Mattei, através do qual a Itália disponibiliza cerca de três mil milhões de euros para iniciativas em África, constitui uma oportunidade para desenvolver projectos de agricultura, água, formação profissional e infra-estruturas em Moçambique. Defendeu ainda que a valorização dos recursos naturais deve ocorrer localmente, através da industrialização e da criação de competências nacionais, permitindo gerar emprego, rendimento e desenvolvimento sustentável.
Com uma agenda centrada em investimentos concretos, transferência tecnológica e parcerias empresariais, o Fórum de Negócios Moçambique–Itália pretende consolidar a posição de Itália como um dos principais parceiros económicos europeus de Moçambique e abrir caminho para novos projectos estratégicos nos sectores considerados prioritários para o crescimento da economia moçambicana.

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