Crise de combustíveis exige nova cultura de comunicação e logística
A actual crise de combustíveis em Moçambique está a expor fragilidades estruturais ao nível da logística, da comunicação e da organização institucional, ao mesmo tempo que reacende o debate sobre a necessidade de maior autonomia individual e adaptação tecnológica por parte dos cidadãos e das organizações. A análise é do Professor Doutor Lourenço Dias da Silva, que defende que o problema vai muito além da escassez pontual de combustível, apontando falhas sistémicas na forma como o país comunica, se organiza e mobiliza recursos.
O académico sustenta que a crise deve ser entendida num contexto mais amplo, onde a eficiência logística e a capacidade de resposta institucional são determinantes, lembrando que a digitalização e o trabalho remoto já deveriam fazer parte da resposta estrutural a desafios deste tipo, sobretudo após a experiência da pandemia da Covid-19. Para Lourenço Dias da Silva, o uso do smartphone e de soluções de trabalho à distância são alternativas plenamente viáveis e ainda subaproveitadas.
O Professor sublinha ainda que Moçambique dispõe de potencial estratégico significativo, incluindo cerca de 2.700 quilómetros de costa, que poderiam ser melhor explorados através de uma logística integrada e moderna. No entanto, aponta que a ausência de sistemas logísticos eficientes para a distribuição de combustíveis e outros bens essenciais contribui para o agravamento de crises como a actual.
No seu entendimento, a solução não passa por encarar o Estado como único responsável pela resolução imediata de todas as necessidades sociais, mas sim pela capacitação dos cidadãos e pela diversificação de competências. Defende uma mudança de mentalidade, centrada na criação de valor, no acesso ao digital e na participação activa em ambientes de aprendizagem e trabalho flexíveis.
Lourenço Dias da Silva chama ainda atenção para o que considera ser um défice de mobilização social positiva em torno dos esforços de governação e desenvolvimento, referindo a ausência de um “sentimento de claque” que valorize os progressos alcançados e fortaleça a coesão social em torno de objectivos comuns.
Na sua perspectiva, a construção desse sentimento passa pela identificação clara entre causa, propósito e consequência, elementos que considera essenciais para reforçar o compromisso colectivo com o desenvolvimento do país.
O Professor sintetiza a sua posição com uma reflexão crítica sobre a comunicação e a organização logística no contexto actual, sublinhando que a crise de combustíveis evidencia não apenas falhas de abastecimento, mas sobretudo fragilidades na forma como a informação e os recursos são geridos.

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