Black Bulls focada na formação

Categoria : Desporto
Sub-Categoria : Moçambique
Publicado no dia 2020-01-14 13:48:15


Black Bulls focada na formação

Ao meio da tarde, o sol estava intenso. Mas em direcção ao campo do Matchedje, na Matola, caminhavam grupos de crianças e adolescentes. Andavam enquanto trocavam conversa, uns com os outros. Os moradores daquele bairro já têm aquela movimentação como comum, tanto mais que quem procura pelo campo do Matchedje àquela altura do dia tem como resposta: é só seguir este grupo pois vai para lá.

No local do treino, os treinadores da Black Bulls já se faziam presentes e ao verem os atletas entrando no campo verificavam o relógio para se certificarem se ainda estavam a respeitar a pontualidade. Ao chegarem ao relvado sintético do Matchedje, casa emprestada, as crianças equiparam.

Os técnicos dividiram o campo em partes e em cada lado treinava um dos quatro escalões programados para aquela hora. Estavam em campo os escalões Sub13A e B, Sub15, e Sub10, sendo este último ainda em fase de ensaio para a oficialização no próximo ano. Em todos os escalões, havia um a dois treinadores atentos para a introdução de novo exercício ou fazer alguma advertência.

Quem aprecia os movimentos das crianças em campo pode perceber que, apesar de serem orientados por vários técnicos, os princípios são semelhantes. Eles procuram privilegiar o contacto “criança-bola”, promovendo jogos, dois para dois, com “balizinhas” e a troca de passes através do “fica no meio” com um determinado número de passes de bola. Porque fazia muito sol, havia momentos de paragem para beber água.

“Dentro da nossa organização temos princípios. Maioritariamente saímos a jogar curto, depois temos a criação de espaços, entrada no espaço e a finalização. Depois há subprincípios dentro disso. Desenvolvemos o nosso treino sempre nessa linhagem. Por isso, cada exercício feito aqui tem o jogo em vista. Treinamos sempre com bola. A parte física está inserida no próprio exercício”, explicou Hélder Duarte, técnico principal da Black Bulls.

“Estes miúdos, quando chegarem aos 18 anos de idade já terão uma bagagem muito grande. Quando falarmos de apoio frontal ou lado vazio vai ser algo normal para eles, porque estão a aprender ainda cedo”, perspectivou Duarte.

À semelhança da matriz nos métodos de treino e de instrução dos jogadores possibilita que um jogador Sub-16 possa actuar, naturalmente, na equipa Sub-18, por exemplo, sem necessariamente ter de se adaptar a um outro método de trabalho. Foi nesse âmbito que a equipa Sub-23b da Black Bulls actuou no último campeonato com mais de 50 jogadores. Para além dos Sub-23 menos utilizados na equipa principal, jogaram quase todos os juniores e dois atletas de juvenis.

“Nós trabalhamos numa ideia conjunta de clube. A abordagem dos seniores é semelhante com os outros escalões. Aqui o jogador sobe e desce de escalão normalmente. Quando sentimos que um atleta de 16 anos já tem domínio no seu nível, colocámo-lo no escalão superior para experimentar outro tipo de dificuldades. Queremos que ele aplique o mesmo exercício enfrentando atletas num grau mais elevado do que ele”, explicou o treinador.

Foi trabalhando desta forma que, este ano, a Black Bulls ganhou o campeonato em todos os escalões, à excepção da equipa de iniciados que ficou no segundo lugar. Não só ganhou como também forneceu cerca de 20 jogadores distribuídos em vários escalões da Selecção Nacional de Futebol. O destaque vai, ainda, para o facto de ter ascendido ao Moçambola 2020 com a sua equipa de Sub-23.

O projecto Associação Black Bulls (ABB) começou há três anos. Antes de ser ABB, fez-se uma parceria com o FC Porto e aquele clube português enviou quatro treinadores para Moçambique com a ideia de “caçar talentos” para serem integrados no FC Porto. Nessa iniciativa, foram levados três atletas: Geny (está no Sporting CP); Abel (Amora FC); Chamboco (Bragança).

Depois pretendeu-se criar uma escola do FC Porto e para o efeito foram enviados de Portugal os técnicos Hélder Duarte e Inácio Soares, dois dos quatro que fizeram parte dos primeiros enviados para o “caça talentos”. Nessa altura, havia um protocolo entre a ABB e o FC Porto no sentido da criação da escola, um protocolo que já expirou. Com o acordo terminado, os dois técnicos passaram a pertencer totalmente ao ABB.

“O nosso método de trabalho tem muito a ver com a nossa raiz como treinadores. Nós trouxemos para cá muito conhecimento adquirido da nossa experiência no FC Porto”, revelou Duarte.

Eram quatro os escalões que estavam a trabalhar no campo, porém o técnico fez saber que o ABB tem nove equipas, começando de Sub-10. Para além de providenciar condições para as camadas de formação treinarem em campo relvado, o clube procura dar diversos incentivos aos atletas.

“Aqui todos treinam devidamente equipados. Têm equipamento para treino e de saída. Os que vieram sem equipamento é porque ainda não pertencem ao clube, porque estão na fase de teste. Depois recebem dinheiro para transporte e têm um cartão por meio do qual recebem um subsídio para as suas despesas mínimas. Por estas coisas temos de elogiar o lado humano caracterizado pela nossa direcção”, enalteceu.

Ao nível das camadas de formação, o ABB tem 16 treinadores, três fisioterapeutas, quatro delegados, sete cozinheiras, dois motoristas, e outros integrantes. “É uma máquina montada e o projecto tem tudo para dar certo. É um investimento muito grande feito na formação de atletas”, acrescentou.

A visão do ABB passa por identificar crianças talentosas, integrá-las no clube, formá-las tecnicamente enquanto atingem a idade aceite no mercado de transferências, e depois vendê-las para clubes fora do país.

Aliás, a ABB está a construir as suas instalações, onde será estabelecida a academia. As obras estão na fase conclusiva. A academia vai ter cerca de quatro campos, dois sintéticos e outros de relva natural; 16 casas T2; 1 refeitório com capacidade para cerca de 200 atletas; 1 estádio com seis balneários; e outros compartimentos. 

A academia vai ter a vertente de formação de jogadores (Sub-17 aos Sub-12), competição profissional (equipa sénior, B, e Sub-19), e a escola de futebol, esta última será de acesso pago.

Há no ABB 35 crianças de outras províncias que estão sob a responsabilidade da organização. A Black Bulls realiza eventos de “caça talentos” ao longo de todo o país e depois integra os melhores para receberem uma orientação técnica e crescerem jogando dentro dos princípios técnicos de percepção de jogo do clube.

 

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