“Escola e desporto devem andar juntos” – adverte Justino Nhaquile, pai da Deizy

Categoria : Desporto
Sub-Categoria : Moçambique
Publicado no dia 2020-01-09 10:03:59


“Escola e desporto devem andar juntos” –  adverte Justino Nhaquile, pai da Deizy

Dá-se por contente pela forma como os seus filhos estão a trilhar os caminhos da vida. Sente-se lisonjeado por, com a sua esposa, Cremilda Malendza, ter gerado atletas de vela, através dos quais Moçambique tem,hoje, seis títulos africanos. O seu nome é Justino Nhaquile. É pai de Deizy Nhaquile, a campeã africana de vela. Acompanhe, nas próximas linhas, a entrevista que concedeu à Ídolo.

 

Ídolo (I) – Como recebeu o envolvimento da sua filha na vela?

Justino Nhaquile (JN) – A Deizy, primeiramente, conversou com a mãe. Depois de terem concordado, abordaram-me. Da forma como me explicaram, não me tinham elucidado que era para ser velejadora. A ideia era natação. E autorizámos. Afinal de contas, a natação fazia parte da iniciação.

Depois de ser aprovada na natação passou para o barco. A mãe é que ficou espantada quando soube que já estava a velejar e, no princípio, não aceitou. Achava perigoso ver a nossa filha no alto mar. Mas conversei com a mãe e chegámos ao consenso de que podíamos deixar ela treinar, porque, de certeza, havia algum controlo.

Algum tempo depois, o clube chamou os pais dos atletas. Nessa altura, explicaram-nos e, inclusive, eu e outros encarregados, fomos, com os nossos filhos, ao alto mar para vermos como treinavam.

I – Houve um dia em que a Deizy quis desistir e já tinha combinado tudo com a mãe. Mas ao chegar a casa impôs que ela continuasse. Porquê recorreu à autoridade naquele dia?

JN – Vi que outras crianças do bairro, depois de voltarem da escola, envolviam-se em brincadeiras. E não queria que fosse assim com à Deizy. Entendi que ir treinar vela era uma ocupação benéfica para ela. Por isso, quando me disse que queria desistir não aprovei a ideia. A mim, o que importava era ela estar ocupada com qualquer coisa após o período escolar.

Como pai, incentivei-a a continuar e, inclusive, falei com o treinador dela, alertando-o que houve algo que a assustou num dos treinos. Depois tudo voltou à normalidade e ela continuou com os treinos.

I – Como é que a Deizy se enquadrou com os seus irmãos?

JN – Ela tem uma irmã mais velha. A Deizy foi a primeira e procurou puxar os outros três consigo para a vela. Participou com a irmã mais velha nos Jogos Africanos de Maputo, em 2011. A irmã que a segue é que não se interessou muito pela vela. Mas em casa o ambiente é tranquilo.

Há um bom relacionamento entre eles. Inclusive, quando o clube precisou de mais atletas, a Deizy conseguiu levar o irmão mais novo para começar também a treinar. Ele já teve duas participações e, em equipa, ganhou terceiro lugar por duas vezes.

I – Como é que olham para a trajectória da Deizy? São seis títulos africanos!

JN – Olhamos como propósito de Deus. Em 2005, vivíamos numa residência arrendada, em Khongolote, houve um vendaval e a casa desabou. Por isso, passámos a viver no Triunfo, próximo ao Clube Marítimo. Dois anos depois da Deizy entrar para a vela, no Clube Marítimo, na procura de terreno para construir a nossa casa, encontrámos um atrás da casa onde estávamos antes de sairmos de Khongolote. Quer dizer, só fomos para o Triunfo para a Deizy estar naquela escola aonde o Clube foi procurar talentos.

Ficámos muito emocionados quando ela ganha. É uma menina que vem do nada e, de repente, já tem nome na praça, e representando um país inteiro. E é um nome com dimensões internacionais.

I – A Deizy vai para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Como é que a família recebeu esta notícia?

JN – Com muita alegria. Muita alegria. E desta vez foi diferente. Nos anos anteriores ia sem telemóvel. Quando quiséssemos falar com ela tínhamos de falar com o treinador mas os técnicos não nos diziam o resultado. Ela ganhava, e só conhecíamos o resultado quando íamos buscá-la no Aeroporto. Quando passou a ir com o telemóvel, ela também tinha a mania de não dizer o resultado e guardava-o para o fim.

Desta vez, no final de cada dia, telefonávamos para saber como foi, e ela contava-nos. No primeiro dia, disse que estava tudo bem. No segundo, ela telefonou a chorar porque tinha levado bandeiradas, mas demos-lhe força e aconselhámo-la a ter mais cuidado. Faltavam dois dias. No último dia, telefonou-nos para dizer que ficou no primeiro lugar e qualificou-se para o Tóquio.

I – Nos anos que ia sem telemóvel, como é que vocês ficavam?

JN – Era preocupante para a mãe. Aquela saudade e inquietação, porque de qualquer das formas era uma menor longe do país. Para mim, que ia sempre às reuniões e tratava dos documentos para ela viajar, era mais fácil gerir a situação, porque sabia como a coisa funcionava.

Mesmo assim, procurávamos telefonar sempre para o treinador. Ela tinha o problema de não se alimentar quando estava na categoria optimist e, por vezes, o treinador tinha de passar o telefone para ela para motivá-la a comer.

I – E nos estudos, como é que se tem orientado?

JN – Sou rigoroso nessas coisas. Primeiro é escola depois desporto. Na prática desportiva o prazo expira. Não é possível ser velejadora para toda a vida. Um dia a carreira desportiva vai terminar. Portanto, a escola é fundamental. E ela tem conseguido conciliar as duas actividades.

Fiquei desapontado, no ano passado, porque ela acabou perdendo o ano. Haviam prometido uma bolsa para Portugal. A ideia era ter treinos intensivos lá. A bolsa do Comité Olímpico contemplava apenas a componente de treino. Eu disse que não ia autorizar. Sem escola, não. Mas depois informaram-me que estavam à procura de financiamento para também estudar, porém não conseguiram.

Naquela conjuntura toda de procura de financiamento para os estudos, acabou perdendo o ano. Mas neste ano, ela entrou para a UEM onde está a fazer a licenciatura em Ciências do Desporto.

I – E como reagiu à escolha do curso?

JN – Por acaso, não fiquei assim muito satisfeito. Mas está na área dela e é preciso dar-lhe a oportunidade de materializar o seu desejo. Os seus irmãos estão também a caminhar. A que lhe segue está a concluir o ensino médio, e o mais novo está a concluir o básico. A mais velha é empreendedora, tem uma loja na cidade de Maputo. Estamos contentes com a forma como estão a caminhar.  

 

 

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