Nos Jogos Olímpicos de Tóquio “Quero estar entre as dez melhores” - ambiciona Deizy Nhaquile, campeã africana

Categoria : Desporto
Sub-Categoria : Moçambique
Publicado no dia 2020-01-09 09:37:08


Nos Jogos Olímpicos de Tóquio “Quero estar entre as dez melhores” - ambiciona Deizy Nhaquile, campeã africana

A última vitória deu-se, este ano, na Argélia, e fez com que conquistasse uma vaga para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Deizy Nhaquile acolheu a Ídolo, no Clube Marítimo dos Desportos de Maputo, para conversar sobre a sua carreira, qualificação e preparação para a sua presença em Tóquio, no próximo ano. Acompanhe o diálogo.

 

Ídolo (I) – Quando é que surgiu a vontade de praticar vela?

Deizy Nhaquile (DN) – Com o andar do tempo. Comecei a fazer natação em 2010 a convite do coach, Ernesto, treinador do Clube Marítimo. Ele foi para a minha sala, na escola onde estudava, e perguntou por crianças que queriam fazer natação. Então, no início era só natação. Eles tiveram uma reunião com os nossos pais para explicar o que as crianças iam fazer mas não falaram nada sobre vela.

 

O grupo que aceitou cá vir, tinha apenas a intenção de aprender a nadar. Com o tempo, depois de aprender a nadar, eles disseram: “já sabes nadar, agora vais aprender a fazer vela”. Não tínhamos ideia do que era vela, pois para nós, barco era só para pescador. Comecei a fazer vela porque o meu pai obrigou-me. Com o tempo fui gostando, depois de uns dois, três anos.

I – Porquê que o seu pai a obrigou?

DN – O meu pai acredita que a criança deve ser ocupada, sobretudo durante o fim-de-semana. Frequentava a quinta classe, na altura, e ele queria ver-me preenchida. Durante a semana ia à escola e ao fim-de-semana ia praticar desporto.

I – Em que ano passou da natação para a vela?

DN – No mesmo ano.

I – Como foram os primeiros dias na vela?

DN – Nos primeiros dias só se anda por andar. Está tudo baralhado. O instrutor diz-te isto e aquilo, mas vem o vento no meio de tudo. Não entendes nada. Não é difícil, com foco e tempo a pessoa acaba aprendendo.

I – Que memórias guarda dessa época de aprendizagem?

DN – Íamos fazer o trajecto Maputo – Ilhas Xefina. E, no meio do mar, desisti. Era das mais novas e o vento estava forte. Encontrava-me no meio do mar, reparei que o meu treinador estava quase na ilha, e depois olhei para a terra e vi que estava distante, por isso preferi virar o meu barco e voltar para o clube.

Disse ao treinador que aquilo estava a ser um sofrimento e que não queria mais. Quando cheguei a casa conversei com a minha mãe, explicando que não queria mais e que estava a sofrer. A minha mãe concordou porque percebeu que ter uma filha de 10 anos entre ventos fortes no meio do mar era complicado. Mas o meu pai olhou para nós e disse: “amanhã ela vai treinar.”

 

I – Qual foi o motivo que a levou a apaixonar-se pela vela?

DN – Eu ganhava. E não há melhor sensação do que ganhar. Gosto de ganhar. Quando se ganha, há uma felicidade enorme dentro de si, algo difícil de explicar. É o máximo! É a melhor sensação da vida.

Coincidiu que no ano seguinte tínhamos Jogos Africanos aqui em Moçambique. Durante a preparação para o Campeonato Africano, começámos a treinar todos os dias. Tivemos algumas clínicas (estágios) na África do Sul. Nos Jogos Africanos, a Maria ficou com o terceiro lugar. Foi quando começaram a perceber que, afinal, temos talento para a vela.

De 2012 a esta parte, tenho ganho todos os campeonatos africanos de vela em que participo. Fui campeã no “Africano” da Tanzânia (2012); África do Sul (2013); Marrocos (2014); Algéria (2015). Nestes países, disputei na classe optimist. Depois passei para a classe laser 4.7, que é uma categoria olímpica. Nessa classe, fui campeã de Moçambique, em 2016.

O “Africano” de Vela de 2014 foi o melhor campeonato da minha vida e dos meus colegas, porque ganhámos tudo. Depois da vitória, de 2016, não tive mais campeonatos africanos, comecei então a preparar-me para o “Africano” da Algéria de 2019. A minha preparação baseou-se mais na competição fora do país, em eventos internacionais de vela na China (em 2017); Dinamarca (2018); Alemanha (2019); e Japão (2019).

 

I – Sabendo que o “Africano” da Algéria era para si o mais esperado, como foi o primeiro momento de envolvimento na competição?

DN – Fui para lá dias antes. Era mais para treinar também no local e conhecer o mar. Não estava com medo, mas transportava comigo a noção de ter deixado a minha vida social para aquele campeonato, durante três anos, e não podia ser em vão.

A primeira adversária com que deparei foi a que competi com ela no Japão. Era Kholoud Mansy, a egípcia. Tínhamos competido, de igual para igual, no Japão, e nesse confronto directo eu ganhei. Não venci a prova, mas derrotei-a. Percebi que iria querer dar tudo para que eu não lha ganhasse de novo. Não sabia como as outras oito adversárias eram, só conhecia a ela.

Na verdade, eu e ela é que dominávamos as regatas (provas náutica). No último dia do “Africano”, fomos à regata com ela em vantagem, porque tinha mais regatas em primeiro lugar. No entanto, se eu vencesse aquela regata seria campeã, mas eu não podia lutar para ganhar, porque noutras cometi algumas irregularidades que me fizeram ter duas bandeiradas. À terceira bandeirada ficava desclassificada e perdia tudo.

Então, entrei para última regata jogando pelo seguro, que era procurar manter-me em segundo lugar e qualificar-me para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Não gosto de perder, mas daquela vez era o sonho do país que estava em jogo e era melhor jogar pelo seguro. Mas a meio da prova, a minha principal adversária, por me querer vencer, acabou perdendo a cabeça e eu aproveitei, e conquistei o título africano.

 

I – Como está a preparar-se para o Tóquio 2020?

DN – A Federação é que está a organizar. Provavelmente irei preparar-me num centro de alto rendimento, fora do país. Seria bom que assim acontecesse. Para os Jogos Olímpicos a preparação tem de ser redobrada, porque quero estar entre as dez melhores, em Tóquio.

I – Que tipo de trabalho é feito fora do mar para conquistar títulos?

DN – Cuidado com a alimentação, ginásio, e o treino em si.

Basicamente, acordo as 4:00 horas para ir à faculdade, e antes de sair tomo uma refeição e suplementos. Tenho um intervalo, quase ao meio dia, e uso esse tempo para ir ao clube. Aqui varia. Vezes há em que vou ao mar treinar ou vou ao ginásio; mas nessa hora tomo a segunda refeição e suplementos. Volto depois para a faculdade, e, às 14:00,horas tomo a terceira refeição. Perto das 16:00 horas tenho de voltar a comer. E quando volto para casa tenho de jantar.

Por outra, por dia tenho de ter umas cinco refeições e treinar. Comer não é vida fácil para mim. Há vezes em que não há vontade, mas tenho de comer senão fico prejudicada. Se não comer perco peso, e se comer de qualquer maneira também crio problemas. O peso é muito determinante na vela.

 

 

 

 

 

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